quarta-feira, 6 de março de 2019

Desiderata


Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que há sempre paz no silêncio. Tanto que possível, sem humilhar-se, viva em harmonia com todos os que o cercam. 

Fale a sua verdade mansa e calmamente e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes – eles também tem sua própria história.

Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas afligem nosso espírito. Se você se comparar com os outros você se tornará presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém inferior e alguém superior a você. Viva intensamente o que já pode realizar. 

Mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde, ele é o que de real existe ao longo de todo tempo. Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia, mas não caia na descrença, a virtude existirá sempre. 

“Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores. Você merece estar aqui e mesmo que você não possa perceber a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.” 

Muita gente luta por altos ideais e em toda parte a vida está cheia de heroísmos. 

Seja você mesmo, principalmente, não simule afeição nem seja descrente do amor; porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto ele é tão perene quanto a relva. 

Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, mas seja compreensível aos impulsos inovadores da juventude. 

Alimente a força do Espírito que o protegerá no infortúnio inesperado, mas não se desespere com perigos imaginários, muitos temores nascem do cansaço e da solidão. 

E a despeito de uma disciplina rigorosa, seja gentil para consigo mesmo. Portanto esteja em paz com Deus, como quer que você O conceba, e quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações, na fatigante jornada da vida, mantenha-se em paz com sua própria alma. 

Acima da falsidade, dos desencantos e agruras, o mundo ainda é bonito, seja prudente. 

faça tudo para ser feliz

Antiga inscrição, datada de 1684, descoberta em uma igreja de Baltimore, EEUU.
Tradução de Jehud Bortolozzi

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

A GENTE VAI EMBORA

A GENTE VAI EMBORA  e fica tudo aí,
os planos a longo prazo e as tarefas de casa, 
as dívidas com o banco,
as parcelas do carro novo que a gente comprou pra ter status.

A GENTE VAI EMBORA  sem sequer guardar as comidas na geladeira,
tudo apodrece, a roupa fica no varal.

A GENTE VAI EMBORA, se dissolve e some toda a importância que pensávamos que tínhamos,
a vida continua; as pessoas superam e seguem suas rotinas normalmente. 

A GENTE VAI EMBORA,  as brigas, as grosserias, a impaciência, serviram para nos afastar de quem nos trazia felicidade e amor.

A GENTE VAI EMBORA  e todos os grandes problemas que achávamos que tínhamos se transformam em um imenso vazio, não existem problemas. Os problemas moram dentro de nós. 
As coisas têm a energia que colocamos nelas e exercem em nós a influência que permitimos.

A GENTE VAI EMBORA  e o mundo continua caótico, como se a nossa presença ou ausência não fizesse a menor diferença. Na verdade, não faz.
Somos pequenos, porém, prepotentes. Vivemos nos esquecendo de que a morte anda sempre à espreita.

A GENTE VAI EMBORA, pois é. É bem assim: Piscou, a vida se vai.. .
O cachorro é doado e se apega aos novos donos.

Os viúvos se casam novamente, fazem sexo, andam de mãos dadas e vão ao cinema.

A GENTE VAI EMBORA  e somos rapidamente substituídos no cargo que ocupávamos na empresa. 

As coisas que sequer emprestávamos são doadas, algumas jogadas fora.

Quando menos se espera, A GENTE VAI EMBORA. Aliás, quem espera morrer?
Se a gente esperasse pela morte, talvez a gente vivesse melhor.
Talvez a gente colocasse nossa melhor roupa hoje, fizesse amor hoje,
talvez a gente comesse a sobremesa antes do almoço.
Talvez a gente esperasse menos dos outros,
Se a gente esperasse pela morte, talvez perdoasse mais, risse mais, saísse à tarde para ver o mar, talvez a gente quisesse mais tempo e menos dinheiro.

Quem sabe, a gente entendesse que não vale a pena se entristecer com as coisas banais,
ouvisse mais música e dançasse mesmo sem saber.

O tempo voa. A partir do momento que a gente nasce, começa a viagem veloz com destino ao fim e ainda há aqueles que vivem com pressa! 
Sem se dar conta de reparar que cada dia a mais é um dia a menos, porque A GENTE VAI EMBORA  o tempo todo, aos poucos e um pouco mais a cada segundo que passa. 

(Autor desconhecido)

sábado, 8 de dezembro de 2018

 O mais importante é o decidir 


“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.

E digo pra você, não pense.

Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo.

Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.

É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.

O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.

Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa.

Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.

Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!

Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as
 idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?

Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser filha dessa abençoada terra de Goiás.

Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.

Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria 
personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.

Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.

Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando 
tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.”

Cora Coralina

Decadência

A decadência é o caminho natural de todas as coisas. Tudo tem o seu apogeu e depois o declínio. As plantas brotam, crescem, florescem e mor­rem. Em algumas espécies, a decadência é mais dolorosa do que em outras. É o caso das plantas carnívoras, por exemplo, que no fim da vida só conse­guem se animar diante de um prato de mingau. Até os mecanismos cansam e decaem. É conhecida a história do famoso relógio municipal de Bong, na Baviera, durante muitos anos considerado uma das maravilhas do engenho humano. Situado na praça central da cidade, o relógio tem um imenso mos­trador com ponteiros de ferro trabalhado. Embaixo do mostrador há duas portas. De hora em hora uma das portas se abria e aparecia a réplica perfei­ta de uma camponesa, em tamanho natural, com um balde na mão. Pela outra porta saía a réplica perfeita de uma vaca. Quando a vaca e a campone-­sa se encontravam, a camponesa inclinava-se para ordenhar a vaca. Neste instante, pela mesma porta da qual saíra a vaca, aparecia um camponês que se aproximava da camponesa por trás e lhe dava um belis­cão Com o susto, a camponesa dava um puxão mais violento no ubre da vaca, que dava um chute para trás, acertando um sino, que assim anunciava a hora. Juntava gente na praça e as pessoas vinham de longe só para ver o relógio de Bong. O mecanismo foi se desgastando com o tempo, no entanto, e hoje se tornou imprevisível. Às vezes uma das portas não abre e a camponesa não aparece. A vaca sai e, um pouco depois, sai o camponês. O camponês dá um beliscão na vaca, que chuta para trás e erra o sino. Um funcionário da Prefeitura, de sobreaviso, sai e bate no sino, tendo que se cuidar para não levar um belis­cão do camponês. Às vezes só aparece a camponesa, que se inclina e fica ordenhando o ar. O funcionário então tem que sair, bater no sino, colocar a camponesa de volta na posição vertical e depois empurrá-la para dentro. Já aconteceu de a vaca sair de surpresa, pegar o funcionário por trás e quase fazê-lo voar. Outra vez foi o camponês que saiu depressa demais, desprendeu-se do chão, voou por cima da camponesa e da vaca e entrou pela janela da Prefeitura no outro lado da praça, interrompendo uma sessão do conse­lho municipal. O resultado é que, dois minutos antes de cada hora, toca uma sirene em Bong anunciando que o mecanismo do relógio vai ser acio­nado e que todos devem sair da praça e procurar abrigo, pois a qualquer momento a vaca também pode voar, com conseqüências trágicas.

Um conto de Luís Fernando Veríssimo no livro "O Analista de Bagé"

sábado, 1 de dezembro de 2018

         

                   Carregue apenas o necessário e importante


          Certa vez um viajante deparou com um rio que seria necessário atravessar. Como não havia ponte, ele mesmo cortou troncos de árvores e construiu uma balsa perfeita. Chegando à outra margem, sentiu-se tão apegado à balsa que não teve coragem de abandoná-la. E, assim, carregando-a nos ombros, reiniciou a travessia do bosque. A balsa pesava-lhe sobre os ombros. A balsa que antes tinha sido uma solução, agora se transformara num problema. 
          Muitas vezes a solução de ontem torna-se o problema de hoje. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

CATADOR DE LINDEZAS

Eu venho de lá, onde o bem é maior.De onde a maldade seca, não brota.De onde é sol, mesmo em dia de chuva e a chuva chega como benção.Lá sempre tem uma asa, um abrigo para proteger do vento e das tempestades. Eu venho de um lugar que tem cheiro de mato, água de rio logo ali e passarinho em todas as estações. Eu venho de um lugar em que se divide o pão, se divide a dor e se multiplica o amor. Eu venho de um lugar onde quem parte fica para sempre, porque só deixou boas lembranças. Eu venho de um lugar onde criança é anjo, jovem é esperança e os mais velhos são confiança e sabedoria. Eu venho de um lugar onde irmão é laço de amor e amigo é sempre abraço.Onde o lar acolhe para sempre, como o coração de mãe. Eu venho de um lugar que é luz mesmo em noite escura. Que é paz, fé e carinho. Eu venho de lá e não estou sozinho, "SOU CATADOR DE LINDEZAS", sobrevivo de encantamento, me alimento do que é bom, do bem. Procuro bonitezas e bem-querer, sobrevivo do que tem clareza e só busco o que aprendi a gostar. Não esqueço de onde venho e vou sempre querer voltar. Meu lugar se sustenta do bem que encontro pelo caminho, junto a maços de alfazema e alecrim. Assim, sou como passarinho carregando a bagagem de bondade, catando gravetos de cheiro, para esquentar e sustentar o ninho... Talvez a vida tenha feito você acreditar que este lugar não existe. Te digo: existe sim, é fácil encontrar. Silencie, respire, desarme-se, perceba, é pertinho. Este lugar que pulsa amor é dentro da gente, é essência, está em cada um de nós. Basta a gente buscar.
(Rita Maidana).

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

                       A terceira fase da vida


     De repente tudo vai ficando tão simples que assusta. 
     A gente vai perdendo as necessidades, vai reduzindo a bagagem. 
     As opiniões dos outros, são realmente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós não tem importância. Vamos abrindo mão das certezas, pois já não temos certeza de nada. 
     E, isso não faz a menor falta. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado e sim a vida que cada um escolheu experimentar. 
     Por fim entendemos que tudo o que importa é ter paz e sossego, é viver sem medo, é fazer o que alegra o coração naquele momento. E só.


Mário Quintana