sábado, 25 de abril de 2015

Torradas Queimadas

Quando eu era ainda um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro, especialmente de uma noite, em que ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho, muito duro.

Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas bastante queimadas, em frente do meu pai. Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geleia, engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por ter queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que meu pai disse: “ – Adorei a torrada queimada...”

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite ao meu pai, eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada. Ele envolveu-me em seus braços e disse-me:

“ – Companheiro, a tua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada... Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor marido, o melhor empregado ou cozinheiro, talvez nem o melhor pai, mesmo que tente todos os dias.

O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros,  é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.

Desde que eu e tua mãe nos unimos aprendemos, os dois, a suprir um as falhas do outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma panela de alumínio brilhando. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube pôr-te a dormir, mas comigo tu tomavas banho rápido, sem reclamares. A soma de nós dois faz o mundo que tu recebeste e que te apoia. Eu e ela nos completamos. A nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto estamos os dois presentes. Não que mais tarde, no dia que um partir, este mundo vá desmoronar, não vai. Novamente teremos que aprender e adaptarmo-nos para fazer o melhor.

De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e até com amigos.

Então, filho, esforça-te para seres sempre tolerante, principalmente com quem dedicas o precioso tempo da vida, a ti e ao próximo.


As pessoas sempre se esquecerão do que tu lhes fizeste ou do que lhes disseste, mas nunca esquecerão o modo como tu as fizeste sentir-se.”
(autor desconhecido)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Educação, Escolaridade e Ética – parte III

Ética – Para definir Ética, vejamos o que Mário Sérgio Cortella diz: Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida:
 (1) quero?; (2) devo?; (3) posso?
           Nem tudo que eu quero eu posso;
           Nem tudo que eu posso eu devo; e
           Nem tudo que eu devo eu quero.
Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.

         Poderia considerar as palavras: "integridade e honestidade", sinônimas de "ética". A diferença que vejo  são: i) integridade e honestidade são atributos naturais da pessoa que os possui, são praticados naturalmente, sem fazer qualquer esforço; ii) ética exige que sejamos íntegros e honestos  e, também, que nos esforcemos por seguir as leis.

Reclamamos de nossos políticos e, com toda razão, os chamamos de corruptos. Esquecemos, no entanto, que a origem dessas pessoas que hoje nos representam, é a sociedade da qual fazemos parte e da qual falamos nos tópicos I e II, anteriores. Gostaríamos que nossos representantes tivessem ética ou, que pelo menos tivessem honestidade. Mas como encontrar ética numa pessoa que, se teve escolaridade, não recebeu a educação necessária como complemento?

Que tal se existisse um curso de especialização intitulado “Curso de Ética para Parlamentares”  e fosse exigido que qualquer candidato, a qualquer cargo político, portasse seu certificado? Não creio que resolveria o problema, mas  juntamente com respeito maior aos professores e um pouco da educação que supostamente receberiam em casa, já seria um começo.

Se analisar nossos governantes e o eleitorado que o colocou no poder, quanto à ética, veremos que se trata de “farinha do mesmo saco”.


terça-feira, 21 de abril de 2015

Educação, Escolaridade e Ética – parte II

Escolaridade – A escolaridade dos brasileiros segue os passos  do descrito na parte I “Educação”. As gerações dos saudosos anos 40, 50 e 60 estudavam em cartilhas completas com professores que sabiam o que estavam fazendo, ou seja, havia muito mais esforço discente e seriedade quanto às aprovações. O saudoso “Antônio Ermírio de Moraes” gritou a plenos pulmões sobre a decadência da escolaridade brasileira, com fatos e estatísticas, em seu livro Educação Pelo Amor de Deus . Não creio que os responsáveis pelo assunto tenham aberto esse livro.

         O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) apresenta números alarmantes quanto à qualidade da escolaridade brasileira:

“Mais de 2/3 (68%) dos que estudam ou estudaram até a 4ª série atingem no máximo o nível rudimentar de alfabetismo, ou seja, são capazes de entender as informações contidas em textos simples como cartas ou anúncios curtos, mas não conseguem compreender textos mais longos.”
“Quase 4 milhões (13%) dos brasileiros nesta faixa de escolaridade são avaliados como analfabetos em termos de leitura/escrita, pois não conseguem decodificar palavras ou frases, ainda que em textos simples.”
“E 4% deste grupo (mais de 1 milhão de brasileiros) não são capazes de realizar tarefas elementares com números, como ler o preço de um produto ou anotar um número de telefone.”

         Para mais informações (ctrl + click) aqui: (Inaf).


         Temo que esse investimento que nossos governantes ora fazem na não-escolaridade, através de orçamentos inadequados e desvalorização dos professores e das escolas, seja o prenúncio de um governo totalitário e de submissão do povo brasileiro. 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Educação, Escolaridade e Ética – parte I

Educação - Questionamos sobre a rebeldia dos jovens em aceitar conselhos e prestar obediência aos seus pais. Desde quando isso vem ocorrendo? Há duas gerações? Então como era nos saudosos anos 40, 50 e 60?

Vejo o histórico desse problema dividido em gerações. Primeiro tínhamos a geração que se preocupava com os filhos. Os pais trabalhavam duro e as mães cuidavam da casa e dos filhos. Não havia creches nem babás com dedicação em tempo integral. Geralmente o trabalho maior era o de encaminhar o primogênito, os demais seguiam seus exemplos. Depois veio a geração dos que cuidavam dos seus próprios filhos e dos seus pais. Em seguida tivemos a geração que passou a preocupar-se apenas consigo,  deixando os filhos entregues ao livre-arbítrio. E hoje temos a geração que se esforça por aproximar-se dos filhos, mas não conhece a fórmula mágica. Psicólogos afirmam que nos primeiros cinco anos de vida, o ser humano forma sua personalidade, conceitos sobre a vida, caráter e outros atributos que irão moldar seus paradigmas e valores para o bem ou para o mal. Nessa fase da vida, os filhos dessa última descrita geração estão nas creches recebendo informações de vital importância, de pessoas estranhas à sua família.

Adicione a esses problemas os fatores: consumismo e conexão e  teremos uma juventude – como diremos – como cavalos em desfile de 7 de Setembro: “falando e andando”, ou melhor, “conectando e andando”. Não será necessário discorrer sobre este assunto. É público e notório.


Desde a mais tenra idade, nossas crianças são expostas às cenas de violência. Quer seja nos inocentes desenhos animados apresentados pela TV: participando de jogos eletrônicos: assistindo filmes – 90% dos filmes apresentados na TV, em quaisquer das 24 horas do dia, são de extrema violência – ou ainda assistindo brigas dos próprios pais. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

                                                       Ainda Sobre Paradigmas

         Um peregrino vai passando por uma aldeia em pleno temporal e vê uma casa de incendiando. 

          Ao aproximar-se, nota um outro homem - com fogo até nas sobrancelhas - sentado na sala em chamas. 

          - Ei, sua casa está pegando fogo! - diz o peregrino. 

          - Eu sei disso - responde o homem. 

          - Então, por que você não sai?

          - Porque está chovendo - diz o homem - minha mãe me disse que a chuva pode nos trazer pneumonia. 

Zao Chi comenta sobre a fábula: 
"Sábio é o homem que consegue mudar de situação quando se vê forçado a isto".  (Paulo Coelho)

terça-feira, 14 de abril de 2015

A ESTRANHA
 
Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu uma estranha, recém-chegada à nossa pequena cidade.
Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com esta encantadora personagem e, em seguida, a convidou a viver com nossa família.
A estranha aceitou e, desde então, tem estado conosco.
Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.
Meus pais eram instrutores complementares... minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer.
Mas a estranha era nossa narradora.
Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.
Ela sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.
Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!
Levou minha família ao primeiro jogo de futebol.
Fazia-me rir, e me fazia chorar.
A estranha nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez para que a estranha fosse embora).
Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas a estranha nunca se sentia obrigada a honrá-las.
As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse.
Entretanto, nossa visitante de longo prazo usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.
Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas a estranha nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.
Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pela estranha.
Repetidas vezes a criticaram, mas ela nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.
Passaram-se mais de cinquenta anos desde que a estranha veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era no princípio.
Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda a encontraria sentada em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...
Seu nome? Ah. seu nome…
 
 
 
 
... é TELEVISÃO!
É isso mesmo; a intrusa se chama TELEVISÃO!
  Agora ela tem um marido que se chama Computador, um filho que se chama Celular e um neto de nome Tablet. 
 A estranha agora tem uma família.
E a nossa...
SERÁ que ainda existe?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

                                                        Olá, eu sou o SINTOMA!

Olá, tenho muitos nomes: dor de joelho, abscesso, dor de estômago, reumatismo, asma, mucosidade, gripe, dor nas costas, ciática, câncer, depressão, enxaqueca, tosse, dor de garganta, insuficiência renal, diabetes, hemorroidas e a lista continua. Ofereci-me como voluntário para o pior trabalho: ser o portador de notícias pouco agradáveis para você.
Você não entende, ninguém me compreende. Você acha que eu quero lhe incomodar, estragar os seus planos de vida, todo mundo pensa que desejo atrapalhar, fazer o mal, limitar vocês. E não é assim, isso seria um absurdo. Eu o sintoma, simplesmente estou tentando lhe falar numa linguagem que você entenda.Vamos ver, me diga alguma coisa. Você negociaria com terroristas, batendo na porta com uma flor na mão e vestindo uma camiseta com o símbolo da “paz” impresso nas costas? Não, certo?Então, por que você não entende que eu, o sintoma não posso ser “sutil” e “levinho” quando preciso lhe passar uma mensagem. Me bate, me odeia, reclama de mim para todas as pessoas, reclama de minha presença no seu corpo mas, não para um minuto para pensar e raciocinar e tentar compreender o motivo de minha presença no seu corpo.Apenas escuto você dizer: “Cala-te”, “vá embora”, “te odeio”, “maldita a hora que apareces-te”, e muitas frases que me tornam impotente para lhe fazer entender mas, devo me manter firme e constante, porque devo lhe fazer entender a mensagem.O que você faz? Manda-me dormir com remédios. Manda-me calar com sedativos, me suplica para desaparecer com anti-inflamatórios, quer me apagar com quimioterapia. Tenta dia após dia, me calar. E me surpreendo de ver que às vezes, até prefere consultar bruxas e adivinhos para de forma “mágica” me fazer sumir do seu corpo.A minha única intenção é lhe passar uma mensagem, mesmo assim, você me ignora totalmente.Imagine que sou a sirene do Titanic, aquela que tenta de mil maneiras avisar que tem um iceberg na frente e você vai bater com ele e afundar. Toco e toco durante horas, semanas, meses, durante anos, tentando salvar sua vida, e você reclama que não deixo você dormir, que não deixo você caminhar, que não deixo você trabalhar, ainda assim continua sem me ouvir…Está compreendendo?Para você, eu o sintoma, sou “A doença”.Que absurdo! Não confunda as coisas.Aí você vai ao médico e paga por tantas consultas.Gasta um dinheiro que não tem em medicamentos e só para me calar.Eu não sou a doença, sou o sintoma.Por que me cala, quando sou o único alarme que está tentando lhe salvar?A doença “é você”, é “o seu estilo de vida”, são “as suas emoções contidas”, isso que é a doença e nenhum médico aqui no planeta terra sabe como as combater, a única coisa que eles fazem é me atacar, ou seja, combater o sintoma, me calar, me silenciar, me fazer desaparecer. Tornar-me invisível para você não me enxergar.É bom se você se sentir incomodado por estar lendo isso, deve ser algo assim como um “golpe na sua inteligência”. Está certo se estiver se sentindo frustrado, mas eu posso conduzir o teu processo muito bem e o entendo. De fato, isso faz parte do meu trabalho, não precisa se preocupar. A boa notícia é que depende de você não precisar mais de mim, depende totalmente de você analisar o que tento lhe dizer, o que tento prevenir.Quando eu, “o sintoma” apareço na sua vida, não é para lhe cumprimentar, é para lhe avisar que uma emoção contida no seu corpo, deve ser analisada e resolvida para não ficar doente. Deveria se perguntar a si mesmo: “por que apareceu esse sintoma na minha vida”, “que pretende me alertar”? Por que está aparecendo esse sintoma agora?Que devo mudar em mim?Se você deixar essas perguntas apenas para sua mente, as respostas não vão levar você além do que já vem acontecendo há anos. Deve perguntar também ao seu inconsciente, ao seu coração, às suas emoções.Por favor, quando eu aparecer no seu corpo, antes de procurar um médico para me adormecer, analise o que tento lhe dizer, verdadeiramente, por uma vez na vida, gostaria que o meu excelente trabalho fosse reconhecido e, quanto mais rápido tomar consciência do porquê do aparecimento no seu corpo, mais rápido irei embora.Aos poucos descobrirá que quanto melhor analisar, menos lhe visitarei. Garanto a você que chegará o dia que não me verá nem me sentirá mais. Conforme atingir esse equilíbrio e perfeição como “analisador” de sua vida, de suas emoções, de suas reações, de sua coerência, não precisará mais consultar um médico ou comprar remédios.Por favor, me deixe sem trabalho.Ou você acha que eu gosto do que eu faço?Convido você para refletir sobre o motivo de minha visita, cada vez que eu apareça.Deixe de me mostrar para os seus amigos e sua família como se eu fosse um troféu.Estou farto que você diga:“Então, continuo com diabetes, sou diabético”.“Não suporto mais a dor no joelho, não consigo caminhar”.“Aqui estou eu, sempre com enxaqueca”.Você acha que eu sou um tesouro do qual não pretende se desapegar jamais.Meu trabalho é vergonhoso e você deveria sentir vergonha de tanto me elogiar na frente dos outros. Toda vez que isso acontece você na verdade, está dizendo: “Olhem que fraco sou, não consigo analisar, nem compreender o meu próprio corpo, as minhas emoções, não vivo coerentemente, reparem, reparem!”.Por favor, tome consciência, reflita e aja.Quanto antes o fizer, mais cedo partirei de sua vida!Atenciosamente,

O sintoma.”
Autor desconhecido